Saturday, June 10, 2006
post-it

Deus sabe o que faz, mas eu nunca mais vou deixar de fazer uma coisa que sei ser a mais acertada por medo, covardia ou mão-de-vaquice. A vida é curta demais para se deixar passar. Isso tudo é um clichê, mas eu tenho que pôr aqui pra me lembrar de não fazer a mesma m****.

Posted at 11:49 pm by Brejeiro
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Wednesday, June 07, 2006
a religião é para ser vivida

"A religião não é para ser crida, é para ser vivida. Mais vale fazer do que crer. Amar ao próximo do que prestar culto a Deus. (...) Agora a libertação cede lugar à salvação. A utopia - situada no futuro da história - é suplantada pela experiência imediata do sagrado."
(Frei Betto, O silêncio de Deus,
http://www.adital.com.br/site/noticia.asp?lang=PT&cod=22841, em 7/6/6).

Posted at 11:37 am by Brejeiro
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Monday, September 06, 2004
inocência

o brejeiro perguntou-a: quer passear?
nunca ouvira proposta mais obscena, presa que era
em sua carcerária ingenuidade
era moça de família, decente
como alguém pudera dirigir-lhe algo tão indecoroso e petulante?!
um tapa na cara merecia
daqueles que deixam na bochecha uma marca bem bonita
perfeitamente delimitada
parou então e se pôs a pensar
inerte - segundos de eternidade
(...)
mirou-lhe os olhos aos do moço e disse-lhe:
tudo bem.
seguiram, assim, até que os passos parassem
epa! não nos conversamos nada sobre segurar mão!
e persistiram na caminhada
num feliz silêncio
rumo à um futuro que parecia promissor

 


Posted at 01:37 pm by Brejeiro
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crônica para calar

"Mãe: Não está muito tarde para assistir filme, não?

Filho, secamente: Mãe, ninguém tá obrigando a Sra. a assistir!

O mais velho, repreensivamente: Macho, fala direito com as pessoas!
Mãe, calma e humildemente: Deixe meu filho, que ele está certo..."

 

Pensamentos à respeito daquele curto diálogo - durante o filme, já iniciado. Peso na consciência? Talvez sim, talvez não, não tenho certeza. Afinal, não foi verdade o que dissera? Ela perguntou porque desejava assistir ao filme no outro dia - isso me foi logo claro -  e, se nada a impedia, porque então a pergunta? (...) Simples: porque queria assisti-lo em família. Esse esclarecimento realmente me calou os pensamentos por instantes e, em seguida, me fez refletir: não custa muito ser agradável às pessoas, mesmo quando o que elas dizem pareça merecer uma resposta incisiva – do tipo curta e grossa.

 

Ninguém é dono da verdade, e mesmo que fosse... Tantas frases mal ditas, tantos opressores e inférteis comentários, tantas palavras gastas com algo que só um nome tem: orgulho. Talvez seja mesmo verdade, ou, ao menos razoável, que ouvir, na grande maioria das vezes, seja melhor do que falar.

 

Numa certa passagem do livro bíblico dos Provérbios – me lembro bem – se diz: “Até um tolo pode se passar por sábio e inteligente se ficar calado”. Sempre analisei isso com a lente do orgulho e, mesmo com essa lente, pude obter um bom resultado com essa citação. Realmente, muitas vezes, num debate ou mesmo numa mesa de bar, tem aquela pessoa que fica só na dela, com olhos atentos, que passeiam a saborear cada palavra dita pelos outros. Você não sabe o porquê, mas começa a ter uma particular admiração por aquela pessoa – que talvez só tenha conhecido há poucos minutos ou que nunca nem suspiros trocou com ela –,  passa até mesmo a criar um respeito distinto por ela, que não tem pelos outros do ambiente. Até que ela – a pessoa – por algum infeliz motivo decidi abrir a boca, e você – semi-boquiaberto e com olhos de quem experimentou uma grande frustração – é acometido da triste constatação (de que ela estava muito aquém da mediocridade dos outros)... Enfim, por essa razão, na dúvida, sempre pensava comigo: melhor ficar calado.

 

Hoje pude enxergar a outra concepção – menos utilitarista e oportunista – de que se pode tirar dessa frase de Salomão. O que se cala se passa por sábio e inteligente, não porque os outros não irão saber das besteiras que é capaz de falar, mas porque calar é um dos mais belos atos de humildade, e só o verdadeiro sábio é que experimenta tão nobre sentimento. Bem, melhor eu não dizer mais nada...

 

 

6 de setembro de 2004, 0h15min.


Posted at 01:02 pm by Brejeiro
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Thursday, September 02, 2004
mar vermelho

falo mas ninguém acredita
o capitalismo é o demônio
materialismo e egoísmo aos extremos
império do homem contra o homem
exploração, escravidão, morte
por que, por que as as pessoas não vêem?
maldita lavagem cérebro-cultural
não há outra saída
fanático é quem não quer a revolução
é quem acredita num sistema que já se concebeu viciado
infelizmente já nasci escravo
pudera eu libertar meu povo e - como moisés -
transpassar as águas deste mar -
vermelho de sangue.


Posted at 09:02 am by Brejeiro
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Monday, August 30, 2004
enfeitiçado

o sedutor sorriso se escondia na feinha
como princesa que se veste serva
em filme de segunda
num chacoalhar de folhas mortas que
à vida voltam por instantes
não sei se vou ou se fico,
mas aqui é tão

lanço-me então em teus braços,
magra musa de cabelos pichain,
vou me perder nestes nós
que brotam de tua cabeça
e fitar este teu sorriso
até que a carne me apodreça.


Posted at 10:00 pm by Brejeiro
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Sunday, August 29, 2004
traição à luz de velas

morrerei de angústia quando souber que ela me traiu
como é que pode?!
nunca desconfiei. não sou corno
ainda
mas serei o último a saber - não tenho dúvidas
morte é um prato que se saboreia ao ar livre
o mal cheiro pode incomodar bastante
volta e meia e aquele desejo ardente vem e me maltrata
estúpida antecipação
ser infeliz não é uma escolha.


Posted at 11:02 pm by Brejeiro
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Saturday, July 17, 2004
ilusão

na noite ela tirava sua túnica para ser
outra pessoa
timidez ao vento, agora só emoções
simuladas talvez
no entanto, faziam-na um rio de águas incontidas
que ultrapassa os limites da própria criação
liberta da prisão que ela mesma criara
com a ajuda dos falsos deuses
da terrena invenção.


Posted at 11:20 am by Brejeiro
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Thursday, July 08, 2004
mística

a mística me dizia. olharei tua mão e dir-te-ei o futuro. linhas imprecisas as suas, não é mesmo? é; fi-las com cetim. mesmo? sim, no alto do bode, onde o leão cospe fogo e as abóboras falam, deram-me 3m sem eu pedir. interessante... eu poderia conseguir para ti, mas daí teria de me dizer o futuro. seu futuro é incerto. que bom, posso voltar para casa, então.


Posted at 01:01 am by Brejeiro
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Tuesday, June 22, 2004
o menino

o menino do ônibus me olhava. pretinho ele. comendo aquele chitos. o olhar inseguro não conseguia sustentar por muito tempo; desviava-o, por vezes. olhava pra janela, divagava. não se dava conta do futuro que lhe esperava. eu, porém, tentava lho prever. não cheguei a conseguir. só rezei para que fosse bom.


Posted at 11:20 pm by Brejeiro
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